Adaptação da famosa obra dos quadrinhos escrita por Mark Millar e ilustrada por Steve McNiven, Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War) demonstra, nas devidas proporções, uma discordância de ideias e um consequente conflito entre duas facções de heróis. A proporção é um elemento importante, pois na HQ são dezenas de personagens se digladiando, enquanto no filme apenas o número que foi possível apresentar até este momento.
Assim, com a ratificação do Tratado de Sokovia (em referência à cidade destruída em Era de Ultron), Steve Rogers/Capitão América (Chris Evans) lidera o time dos que são contra a supervisão dos Vingadores pela ONU, o que contraria a opinião de Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), que acredita no controle do grupo como a melhor solução para evitar a morte de inocentes.
Inicialmente tratadas na forma de diálogos, as diferenças são intensificadas com a presença de Bucky, O Soldado Invernal (Sebastian Stan). Acusado de cometer um atentado internacional, ele é peça crucial no desmembramento dos Vingadores. De um lado Rogers quer proteger o amigo, do outro, Stark quer prendê-lo, e os outros membros - cada qual com sua motivação - começam a se dividir.
Em paralelo ao conflito, duas figuras são importantes para amarrar a narrativa: Pantera Negra (Chadwick Boseman) e Zemo (Daniel Brühl). A introdução do regente de Wakanda é perfeita dentro do universo dos heróis, com Chadwick dosando muito bem o lado guerreiro e de nobreza do personagem. Já para Zemo, que aqui não tem o título de Barão e está completamente descaracterizado em termos de figurino, fica a articulação de um plano grandioso que percorre toda a trama.
Instaurada a divisão, as lutas são expostas em confrontos menores para depois culminar na grande batalha do aeroporto (mostrada no trailer numa pequena parcela). Essa incrível sequência é filmada com toda a competência que os irmãos Anthony e Joe Russo já demonstraram em Capitão América 2: O Soldado Invernal. São embates que exploram os pontos fortes de cada um e o uso dos poderes, inclusive com habilidades inéditas e inesperadas para este filme.
Divertida, empolgante, tensa e dramática em determinado momento, a batalha serve ainda para trazer de volta à Casa das Ideias seu mais famoso filho: o Homem-Aranha. Num acordo entre a Sony Pictures e o Marvel Studios, o Amigão da Vizinhança faz uma participação no conflito ao lado do Time Stark e apresenta seu novo intérprete: o ator Tom Holland. Mais do que entrar na luta, lançar teias e fazer piadinhas, a estratégia de usar o Homem-Aranha nesta produção permite que em seu filme solo os roteiristas não tenham que falar novamente de origem, grandes poderes, grandes responsabilidades e tudo aquilo que já vimos e revimos no cinema.
Por falar em roteiro, os roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely não se deixam levar somente pela oportunidade de mostrar os heróis trocando socos e trabalham outras questões importantes para o Universo Cinematográfico da Marvel. Como o longa é uma continuação direta de Soldado Invernal, temos a relação de amizade de Steve Rogers e Bucky aprofundada, assim como surgem pistas da relação afetiva entre Visão (Paul Bettany) e Wanda Maximoff/Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) tão recorrente nos quadrinhos.
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