Se você pudesse ser outra pessoa, quem seria? Você optaria por ser alguém mais velho, novo, de outra nacionalidade...? É com base nessas perguntas que Adam Sandler protagoniza Trocando os Pés (The Cobbler), comédia dramática que tenta retomar a fase do ator de filmes mais produtivos ao invés de produções campeãs do Troféu Framboesa de Ouro.
Sandler interpreta Max, um homem solteiro, abandonado pelo pai, que cuida da mãe doente e não sente prazer algum em administrar o negócio da família: uma sapataria que já vem de quatro gerações. Entre a casa e o trabalho, Max cumpre a rotina sem esperança de mudanças. Porém, assim como em Click, surge aquele objeto mágico que vai transformar a vida do personagem.
Tal objeto permite ao homem assumir a aparência de qualquer pessoa, ao calçar seus sapatos. Então, como ele é sapateiro e tem diferentes calçados na loja, imagine quantas possibilidades. A cada troca, o filme traz um personagem com características singulares, o que rende algumas situações engraçadas, como quando o protagonista vira um zumbi. Psicologicamente, assumir a aparência e incorporar as atividades daquela pessoa, fazem de Max um sujeito com desejos reprimidos que vê a possibilidade de botar para fora tudo o que gostaria de ser ou experimentar.
É com essa alternância que o longa insere vários personagens clichês (o asiático, o loiro rico...), mas consegue tratar de questões interessantes, como o capitalismo, o patrimônio
cultural e a exploração imobiliária. Assim, Trocando os Pés demonstra até onde pode ir a atuação dos poderosos quando há muito dinheiro envolvido.
A troca dos calçados é também uma forma de embutir outros gêneros dentro da proposta da comédia. A cada novo personagem, ocorre a transição entre o drama, o policial e o filme de máfia. No entanto, é nessa mudança que a produção acaba inserindo situações desnecessárias e desperdiçando a chance de se aprofundar mais em outras.
Próximo do final, o roteiro fica previsível,
lança situações que ficam sem explicação (certamente já pensando em uma
sequência) e perde a oportunidade de encerrar a trama de forma satisfatória. Depois
de uma fase bem ruim, com produções como Zohan - O Agente Bom de Corte e Cada
Um Tem a Gêmea que Merece, Adam Sandler ainda não retornou aos tempos de Click
e Como Se Fosse a Primeira Vez com este novo filme. Porém, como estamos falando
em assumir personalidades a cada troca de sapatos, quem sabe o ator incorpore o
Sandler daquela época e permaneça como tal.
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