Apenas pelas possibilidades que apresentou ao final do último filme, a continuidade de Velozes e Furiosos já valeria o ingresso. A introdução de Jason Statham como o próximo antagonista demonstrava que o novo longa poderia render embates ainda melhores. Contudo, a expectativa para esta produção ficou marcada por uma trágica e irônica tragédia: a morte de Paul Walker, o intérprete de Brian O'Conner, num acidente de carro em 2013.
Diante da fatalidade e do adiamento do filme, surgiram duas dúvidas principais: como solucionar a ausência do ator (o acidente ocorreu no meio das filmagens) e qual seria o destino de seu personagem? A resposta para a primeira pergunta é vista em um ótimo trabalho de dublagem (os irmãos de Walker ajudaram), no jogo de câmeras e no uso de alguns efeitos visuais quase imperceptíveis. Quanto ao destino do personagem, a solução é decente, emocionante e como Dominic Toretto (Vin Diesel) vinha pregando ultimamente nas produções: familiar.
O roteirista Chris Morgan soube encaixar o inesperado dentro do núcleo que O'Conner habita na série e, com isso, a produção reduziu o espaço de personagens que entraram depois, como Luke Hobbs (Dwayne Johnson). A intenção é demonstrar a união, o companheirismo do grupo de Dom e destacar um trabalho que vem lá do primeiro Velozes e Furiosos. Ou seja, uma família nas telas, uma família na vida real.
O script conecta duas tramas para contar a vingança de Deckard Shaw (Jason Statham), o irmão de Ian Shaw - o vilão do sexto filme. De um lado há a vingança pura e simples, de outro há a participação de um terrorista (Djimon Hounsou), que acaba por atender às motivações de mocinhos e bandidos quando sequestra uma hacker responsável por criar um sofisticado dispositivo de localização global.
Em termos narrativos, o vilão de Hounsou contribui para dividir a ação em vários pontos, alternando entre o principal foco do longa: o embate entre Toretto e Shaw. São dois homens em rota de colisão por motivos distintos, mas com um objetivo em comum: proteger aqueles que amam.
Essa alternância traz empolgantes conflitos entre os personagens de Paul Walker e Tony Jaa, o incrível artista marcial tailandês, e Michelle Rodriguez e a lutadora de MMA Ronda Rousey. São lutas que incluem Jiu-Jitsu, Muay Thai, mas não esquecem de golpes mais característicos de uma briga de rua.
Essa alternância traz empolgantes conflitos entre os personagens de Paul Walker e Tony Jaa, o incrível artista marcial tailandês, e Michelle Rodriguez e a lutadora de MMA Ronda Rousey. São lutas que incluem Jiu-Jitsu, Muay Thai, mas não esquecem de golpes mais característicos de uma briga de rua.
Com duelos muito bem escolhidos, o filme ainda tem o trunfo de ter James Wan como diretor. O cineasta, elogiado por suas produções no gênero do terror, mostra que é completo, fazendo um trabalho digno também na ação. É bem verdade que Wan amplia os exageros visuais de Velozes 6 nesta produção, porém ele experimenta novas tomadas, atira carros de aviões (acredite, é tudo verdade), e utiliza ângulos que acompanham os movimentos nas lutas. O exagero acaba por divertir, mesmo que involuntariamente.
A mudança de foco total na premissa que iniciou a série, fazendo com que os carros sejam coadjuvantes de luxo, trouxe novos direcionamentos para os longas. Porém, caso este seja mesmo o fim de Velozes e Furiosos, é notável como ele foi realizado com total dedicação, permitindo que a ausência de Paul Walker na vida real fosse incorporada ao desfecho de seu personagem.
Em determinado momento, o filme é uma homenagem, é uma fração de tempo na qual nós, os atores e a equipe de produção observam Paul Walker como Brian O'Conner. Ali a ficção se mistura com a realidade e o que importa para todos os que assistem é esquecer a perda e manter apenas a lembrança de ver Paul alegre, sorrindo e em paz.
Leia a crítica de Velozes e Furiosos 6
Leia a crítica de Velozes e Furiosos 6
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