domingo, 26 de abril de 2015

Cinderela - Crítica

Cristiano Almeida

Versão live-action da clássica animação Disney, Cinderela traz novos detalhes da vida da Gata Borralheira numa produção luxuosa pelo trabalho de figurino e design de produção. Diferente de outras versões que tentaram mostrar uma visão mais moderna da história, este filme é fiel ao que foi realizado em 1950.

Ella, como é conhecida a protagonista antes de se tornar Cinderela, vive feliz com seus pais em uma casa na fazenda. Pura e bondosa com todos, a jovem sempre teve a magia como companheira, conversando com animais e transmitindo seu carinho. Sua vida começa a mudar quando perde a mãe e o pai casa-se com Lady Tremaine (Cate Blanchett), uma mulher ambiciosa e arrogante.

Com as constantes viagens do pai, a garota passa a viver como empregada da megera e de suas duas filhas, realizando inúmeras tarefas. Sem ter uma cama para descansar, adormecia perto da lareira, junto ao borralho (cinzas), daí o apelido de Gata Borralheira e, posteriormente, Cinderela. Apesar de muitas tarefas e humilhações, Ella nunca se deixava abalar, mantendo a orientação da mãe de seguir sempre o caminho do bem. 

Tal orientação caracteriza a personagem durante toda a projeção. Mesmo num raro momento de descrença, de fraqueza, a jovem tem sua bondade posta à prova e não decepciona. É aquele momento tradicional em que as produções da Disney transmitem uma mensagem edificante para crianças e adultos.

Com o anúncio de um baile promovido pelo príncipe na tentativa de escolher uma princesa, todas as donzelas do reino se apressam em preparar os vestidos. Cinderela sente-se animada em participar, mas é barrada pela madrasta. Assim, chega o momento da transformação de borralheira em princesa, somente possível pela intervenção da fada madrinha interpretada por Helena Bonham Carter.

A transformação da jovem é uma mudança no tom do filme também, que passa a ter mais requinte visual. O Design de produção cria um enorme palácio com escadarias e jardins intermináveis; a cenografia tem atenção aos detalhes inerentes ao ambiente e os figurinos esbanjam o luxo de um baile real (foram gastos aproximadamente 1,7 milhão de cristais para a composição das vestimentas).

O interessante nos figurinos é que eles refletem a personalidade de cada personagem. A extravagância de Lady Tremaine é vista em vestidos esvoaçantes de cores quentes. Já Cinderela, vestida em cores mais brandas, demonstra sua bondade e discrição, mesmo ao se transformar em princesa.

É um trabalho técnico coroado pelas ótimas interpretações dos atores. Lily James transmite a doçura de Cinderela por um sorriso, um olhar, e sabe como aflorar a tristeza da personagem nos muitos momentos de angústia, e Cate Blanchett é a futilidade em pessoa, desfilando olhares de inveja, reprovação e desprezo para a bondosa jovem.
 
Assim, Cinderela é uma bela versão para encantar um novo público e transmitir uma proveitosa mensagem. Não importa por quais dificuldades você passar, mantenha-se firme num ideal de bondade, pois a recompensa vem de diferentes formas. Realizar um simples gesto de gentileza pode não parecer nada, mas, no final, significa tudo.

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Jornalista apaixonado por cinema. Idealizou o blog com o desejo de partilhar as maravilhas da Sétima Arte com outros cinéfilos e quem mais se interessar pelo assunto.