Continuação direta de Divergente, a adaptação do livro de
Veronica Roth, Insurgente (Insurgent) acompanha Tris (Shailene Woodley) e
seus companheiros na luta para vencer o controle da Erudição. No primeiro filme, a jovem precisava
encontrar seu lugar, precisava descobrir sua afinidade com alguma facção, neste, ela
precisa lidar com as consequências de ser uma divergente diante da ambição de
Jeanine (Kate Winslet).
Em fuga, Tris, seu irmão Caleb (Ansel Elgort), Quatro (Theo
James) e Peter (Miles Teller) buscam refúgio na facção da Amizade, local de
onde pretendem juntar forças com os membros da Audácia para depor a líder da Erudição.
Convenientemente, eles também encontram um grupo de sem-facção, pessoas que não passaram
no Teste de Aptidão e por isso são excluídos das outras castas.
O filme transmite bem as diferenças entre essas divisões.
Amizade vive em um ambiente simples, porém de harmonia e alegria; Erudição é caracterizada
pela demonstração de poder e superioridade, enquanto os sem-facção são representados
pelo aspecto marginalizado.
Apesar de propor ao longo da projeção a força de uma aliança
entre as facções, o longa acaba decepcionando na prática. A união é insinuada,
é efetivada, mas na hora da ação é distribuída em alguns poucos minutos, sem um espaço maior que demonstrasse o quão importante ela seria em termos estratégicos.
Essa é apenas uma das falhas do roteiro, que erra também na
continuidade de algumas cenas e na participação sem brilho de personagens coadjuvantes. Ansel Elgort interpreta um tipo sem carisma, covarde e
desnecessário; Octavia Spencer aparece e nada acrescenta à trama, e Naomi Watts
tem seu talento desperdiçado com momentos simplórios. Somente a última cena
demonstra que ainda pode haver um aproveitamento melhor de sua personagem.
Para contornar esses erros, Shailene Woodley alterna bem as
emoções de Tris: a determinação, a paixão, a insegurança, a culpa, o medo... Em
meio às responsabilidades, voluntárias ou não, a garota tem os conflitos de uma
adolescente em transição para a vida adulta, que, no caso do filme, está em busca de respostas
sobre sua família e sobre o mundo em que vive.
Nessa busca, as cenas de ação - principalmente nos ambientes
de simulação - são muito bem produzidas. Os efeitos visuais são como uma mistura
de Matrix e A Origem, proporcionado uma ótima percepção da realidade virtual. Na versão em 3D, os efeitos colaboram para algumas boas sequências em profundidade vertical e
horizontal.
Com os conflitos de Tris e a premissa de divisão de classes, controle populacional
por meio da manipulação e persuasão, a franquia tem espaço para explorar melhor
temas tão importantes. Desse modo, o resultado de Insurgente ficou num meio-termo
para um filme que se conecta às futuras produções (a adaptação do terceiro livro será
dividida em duas partes, claro). De qualquer forma, o gancho para a continuação
trouxe alguma esperança (literalmente) para o que há além da pós-apocalíptica
cidade de Chicago. E olha que eu já vi isso antes.
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