segunda-feira, 2 de junho de 2014

Malévola – Crítica

Cristiano Almeida

Além de se aventurar por outros gêneros, a Walt Disney sempre apostou na adaptação dos contos de fadas para ajudar na consolidação do seu público-alvo. Ao contar as aventuras de princesas e príncipes, bruxas e madrastas, o estúdio conquistava cada vez mais admiradores que queriam acompanhar a eterna luta do bem contra o mal. Mas os tempos mudaram, o interesse do público mudou, e a reinvenção de velhas histórias tornou-se necessária.

Com isso, a Disney direcionou sua atenção para recontar um de seus maiores clássicos, A Bela Adormecida, de 1954, porém com uma visão completamente distinta, a da vilã do conto, Malévola (Maleficent). A interpretação ficou a cargo de Angelina Jolie, que se dedicou com afinco para a construção da personagem e entrega uma performance maravilhosa.

Os elementos básicos do conto estão lá: a princesa Aurora, o tear, a maldição, o rei, as fadas e o príncipe, no entanto, a proposta é conhecer uma história que ainda não foi contada. Visualizamos, então, uma Malévola jovem, vivendo em paz no reino dos Moors, um lugar cheio de criaturas fantásticas, que vêem sua tranquilidade ser abalada pela cobiça dos humanos. O envolvimento da jovem com um humano, e as atitudes dele motivadas pelo poder, fazem com que ela modifique sua personalidade, tornando-se a senhora do mal.

Angelina Jolie está perfeita no papel. A atriz sabe equilibrar os nuances da personagem, impondo sua presença, principalmente na famosa sequência em que a maldição é lançada. Em complemento ao desempenho de Angelina, o trabalho de maquiagem e figurino é essencial para uma composição exata de Malévola.

Com o foco na vilã, e o talento da intérprete sendo transmitido em cada cena, resta à graciosa Elle Fanning representar a ingenuidade e a doçura da princesa. O melhor é que ela não decepciona. Seus sorrisos transmitem a pureza do coração de Aurora, e quando a cena exige um pouco mais de drama, Fanning cumpre o esperado.

Entre uma incoerência de roteiro aqui e ali, a direção do estreante Robert Stromberg termina com um saldo muito positivo. O cineasta foi responsável pelo Design de Produção de Labirinto do Fauno, Avatar, entre outros, bagagem que certamente o ajudou na hora de filmar os cenários fantásticos que a produção apresenta.

O design do longa (em paralelo com a fotografia), aliás, traz um conceito interessante. Percebam como os sentimentos dos personagens afetam a estrutura em volta. Malévola vivia feliz, logo seu mundo era colorido, ensolarado; ao ser traída, endurece seu coração, e isso se reflete na escuridão, na falta de vida do mesmo local, que novamente muda com a presença de Aurora.

Há na produção uma inversão de valores, uma adequação aos tempos atuais. É ótimo como o filme foge dos clichês de histórias de princesa e apresenta alternativas que não se limitam a uma trama simplesmente maniqueísta. Para um longa que leva a marca Disney, Malévola se aproximou um pouco mais do folclore coletado pelos irmãos Grimm, que de histórias para criança não tinha nada.

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Jornalista apaixonado por cinema. Idealizou o blog com o desejo de partilhar as maravilhas da Sétima Arte com outros cinéfilos e quem mais se interessar pelo assunto.